Desde que começou no Brasil, ainda nos anos 70, o movimento independente de produção de discos, muita coisa mudou para melhor. A resistência que as lojas criavam para adquirir discos menos comercias tem diminuído e hoje é possível encontrar produtos de qualidade em algumas grandes lojas. Mas essa oferta ainda é tímida se comparada à imensa maioria de produtos, que são mais produtos do que qualquer outra coisa. O problema central continua sendo o da distribuição.
Se as lojas de discos que aceitam de bom grado a boa música não constituem a maioria, o que fazer então para que a distribuição melhore? A Internet tem sido um grande trunfo para os artistas independentes e as pequenas gravadoras, possibilitando a divulgação e a venda em todo o Brasil, coisa difícil de imaginar nos anos oitenta, quando as grandes gravadoras dominavam o mercado de forma unilateral e quase predatória. Aliás, este é um ponto de importância capital para entendermos as mudanças ocorridas no mercado fonográfico recentemente.
Segundo a jornalista Andréia Bueno, atuante da Rádio Câmara, uma rádio web, a internet é um espaço inesgotável e abre caminhos para nos artistas:
http://sonoraandreia1.4shared.com
Ela ainda garante que na Rádio Câmara há espaço para artistas independentes, desde que se enquadrem no perfil da programação musical:
http://www.4shared.com/audio/MtGD-AiR/Entrevista_Andria_2.html
A Internet, ao mesmo tempo que é considerada uma redentora para muitos, é vista como vilã para outros . E, na maioria das vezes, quem é contra ela e seus males derivados, como Napster, MP3, etc…, são as grandes gravadoras e os artistas que vendem , ou melhor, vendiam, muitos discos. As gravadoras estão pagando um preço caro por terem se acomodado durante anos, protegidas por contratos com os artistas e por um mercado viciado. Investiram no lucro fácil e rápido, privilegiando a música “da hora” em detrimento da música de boa qualidade. E ampararam-se também em rádios onde o chamado “jabá” era, e ainda é, moeda de troca. Enfim, as gravadoras agora correm em busca do tempo perdido, pois o que se costuma chamar de indústria do disco tornou-se quase que só indústria, deixando o disco para segundo plano.
O responsável pela programação musical da rádio Viva News, de Bento Gonçalves, Diogo Filippon, admite que ainda existe um certo pagamento pelo espaço conquistado em uma emissora, mas não é o mesmo de antigamente: “Até onde sei há uma troca, por exemplo, se rodo a música de uma banda 5 vezes por dia, em troca, a banda faz um show envolvendo a emissora e um programa com exclusividade, obtendo mais audiência e chamando este público para si. Mas, a rádio não vai deixar de rodar um sucesso do momento porque a banda não quer pagar um "jabá" por exemplo, se o ouvinte pede, dependendo do horário, e da música, se deve tocar sim.”
Já quem esteve durante anos à margem da mídia, começa a ser redescoberto, primeiro pelos desbravadores, depois pelos consumidores e, finalmente, e muito ironicamente, pela própria mídia. É a tal ironia do destino. Muitos compositores da MPB que fizeram sucesso nos anos 70 e sumiram da mídia estão sendo descobertos, despertando a curiosidade de gravadoras atordoadas com a rapidez com que as coisas têm acontecido nesse campo.
Para o professor, jornalista e ex membro da rádio Atlântida, Paulo Finger a internet é a melhor ferramenta para atingir o reconhecimento popular: “É fundamental, e hoje, a principal. Com a internet, as bandas tem um aliado no contato direto com seus possíveis fãs, e isso é ótimo para conseguir ser vista e ser falada. Quem tem banda e não usa a internet, está fadada ao esquecimento sem mesmo ter começado.”
Se aquilo que oferecemos ao nosso público e que se caracteriza pela qualidade, deve também nortear os nossos procedimentos em termos de venda dos nossos produtos. E o alternativo, nesse caso, não quer dizer que se devamos ser pequenos ou tímidos, muito pelo contrário. Precisamos ser criativos, dinâmicos e agir desenvoltura, caso contrário corremos o risco de, ao alcançarmos o sucesso comercial, nos acomodarmos com ele.
Enfim, assim como as Ongs estão hoje para o Brasil e para o mundo como uma 2º via para o desenvolvimento do ser humano contra um estado insensível e ineficiente, devem estar as vias alternativas à mídia. É preciso abrir caminhos novos, atalhos mais inteligentes. Com insistência, perseverança e muita garra o panorama um dia muda. Isso requer muito trabalho, pois enfrentamos um herança de desigualdades em todos os níveis sociais, que obviamente se reflete na mídia, seja ela impressa, televisiva ou falada.
Ouça a entrevista de dois exemplos de artistas independentes que utilizam a internet como ferramenta de divulgação de seus trabalhos e ideais.
Entrevista com o vocalista da banda Fugitivos do Bar, Juliano Cardoso!
http://www.4shared.com/audio/Mn2kCrKs/entrevista_juliano_msica_pront.html
Entrevista com o reapper Felipe Mixirica!
http://www.4shared.com/audio/PLFbg7bT/Entrevista_com_o_MC_Filipe_Mix.html
